quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

I Semana de Arqueologia - "Arqueologia e Poder"


Estão aberta as inscrições para a I Semana de Arqueologia - "Arqueologia e Poder", organizada pelo Laboratório de Arqueologia Pública Paulo Duarte (LAP/NEPAM/Unicamp) que será realizada entre os dias 19 e 21 de março de 2013 na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em Campinas, SP.
O evento conta com a participação de professores convidados, dentre eles, Gilson Rambelli, do LAAA (PROARQ/UFS), que ministrará a conferência de encerramento. Além dele,também estarão presentes: José Remesal (Universitat de Barcelona), Rita Juliana Poloni (Unicamp), Andres Zarankin (UFMG), Melisa Salerno (Universidade de Buenos Aires), Paulo Bava de Camargo (Unicamp), Lúcio Mezes (UFPel), Márcia Bezerra (IPHAN) e Solange Schiavetto (UEMG).
A Semana é coordenada por Aline Vieira de Carvalho e Pedro Paulo A. Funari.
Sobre a Semana:
O Laboratório de Arqueologia Pública reconhece que a Arqueologia brasileira tem passado por um importante momento de institucionalização acadêmica – marcada pela criação dos cursos de graduação e pós-graduação na área – bem como pelas discussões epistemológicas referentes, por exemplo, à interdisciplinaridade, complexidade e aos debates acerca da figura do “outro” na produção do conhecimento arqueológico. Discussões marcadas, sempre, por projetos políticos específicos tanto para o nosso presente como para o nosso futuro.
Inseridos na defesa política da pluralidade, o LAP inaugura sua I Semana de Arqueologia com a proposta de debater as relações entre Arqueologia e Poder. Os temas são plurais, assim como as abordagens realizadas sobre eles. E, nesta pluralidade, assimétrica e fluída, almejamos encontrar espaços compartilhados para pensar e propor ações para a área da Arqueologia e, claro, da própria Arqueologia Pública.
Pensando em abranger diferente públicos e contando com convidados brasileiros e estrangeiros de renomadas instituições, esta semana é composta por conferências, sessões de comunicação, mesas-redondas, apresentação de pôster, lançamento de livros e um minicurso. Sendo, portanto, um momento para múltiplas discussões, diálogos e trocas de experiências acerca da ciência arqueológica.

 Informações e inscrições: 



sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Capes aprova doutorado em Arqueologia na UFS


Curso será ministrado no campus de Laranjeiras
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou ontem, 19, a aprovação do curso de doutorado em Arqueologia do campus de Laranjeiras da Universidade Federal de Sergipe. Este é o quarto doutorado do Brasil na área, segundo o responsável pela elaboração do projeto, professor Gilson Rambelli. O curso terá as Arqueologias Histórica e Pré-Histórica como linhas de pesquisa.

“Essa aprovação coloca a UFS em posição de destaque no cenário nacional, e é a continuação do nosso bom resultado no mestrado, que havia sido aprovado pela Capes já com conceito 4, diferente da maioria dos cursos de mestrado, que são aprovados inicialmente com o conceito 3. Isso foi o que abriu as portas para o doutorado antes da conclusão da primeira turma de mestrado”, explica Gilson, que está na direção interina do campus de Laranjeiras.

De acordo com ele, a previsão de lançamento de edital será para o próximo ano (provavelmente em março, quando começa o período letivo da pós-graduação). O curso contará com nove professores e será aberto para os estudantes de Arqueologia e áreas afins.

A coordenação dos cursos de pós-graduação em Arqueologia da UFS ficará a cargo de Olívia Alexandre de Carvalho.

Histórico

O bacharelado em Arqueologia formou sua primeira turma no final de 2010, e recebeu conceito 5 do MEC. Já omestrado do Programa de Pós-Graduação em Arqueologia foi criado em 2010 com conceito 4 da Capes. Segundo apágina ofical do curso, esse foi o segundo mestrado acadêmico da área no Nordeste, o quarto do Brasil, além derepresentar o primeiro programa de pós stricto sensu do interior de Sergipe.

As pesquisas são desenvolvidas em Xingó, na bacia do rio São Francisco, e possibilitam a formação de discentes emáreas ainda pouco representadas no país, como a Zooarqueologia, Arqueologia Pública, Arqueologia de AmbientesAquáticos (Subaquática, Náutica e Marítima) e a Musealização do Patrimônio Arqueológico.

Ascom
comunica@ufs.br

Fonte: http://www.ufs.br/conteudo/capes-aprova-doutorado-arqueologia-ufs-9016.html

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Novo doutorado em Arqueologia no Brasil

Essa semana foi aprovado o curso de Doutorado em Arqueologia da Universidade Federal de Sergipe. Esse é o segundo doutorado na área do Nordeste e o quarto do Brasil.

Aguardem mais informações sobre o primeiro processo seletivo!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

I Encontro Interdisciplinar Museal de Sergipe




Dia 20 de dezembro será realizado o I Encontro Interdisciplinar Museal de Sergipe, com o tema: Direitos Humanos, Acessibilidade, Patrimônio Cultural, Educação e Cidadania.


Os interessados devem preencher a ficha de inscrição (abaixo) e entregá-la até dia 19/12, na secretaria de Museologia.



terça-feira, 18 de setembro de 2012

Código de Ética da UNESCO para o mergulho


Para assegurar a preservação do patrimônio cultural submerso, em 2001, foi criado pela UNESCO o  Código de Ética para o Mergulho. Ele tem como objetivo conscientizar os mergulhadores de pequenas ações que podem ser feitas para preservar um bem comum. Mais do que isso, os mergulhadores podem auxiliar o trabalho do arqueólogo documentando a localização de novos sítios.

O Código está disponível em inglês na página da UNESCO. Na página do LAAA há uma versão em português.



O Código de Ética da UNESCO para o mergulho em sítios arqueológicos subaquáticos

1. Proteja o patrimônio cultural subaquático para as futuras gerações.
O Patrimônio Cultural Subaquático engloba todos os vestígios da existência humana tendo um caráter cultural, histórico ou arqueológico, que se encontram submersos. Ao longo dos séculos, milhares de navios, cidades inteiras e paisagens foram cobertas pelas águas. Eles constituem uma herança preciosa que precisa ser protegida.

2. Não toque em restos de naufrágios ou em ruínas submersas.
O sítio de um naufrágio ou de uma ruína submersa é historicamente importante. Quando objetos ou outros vestígios são removidos sem que as informações do sítio sejam registradas por cientistas, elas são tiradas do contexto original e perdem parte de seu significado. Eles também são suscetíveis à deterioração fora d’água. A extração de um objeto sem o respeito às técnicas adequadas pode representar o seu desaparecimento. Mergulhadores que não participam de um projeto científico não devem tocar em nenhum objeto de um sitio arqueológico subaquático.

3. Respeite a legislação que protege os sítios arqueológicos subaquáticos.
Muitos sítios do patrimônio cultural subaquático são protegidos por Lei. Conhecer e compreender a legislação aplicável antes de mergulhar, pode evitar a violação da Lei. Para saber mais sobre as Leis em diferentes países, visite: www.unesco.org/culture/natlaws.

4. Solicite permissão para mergulhar em determinados sítios.
Muitas vezes, é necessário obter autorização específica para mergulhar em alguns naufrágios ou sítios arqueológicos. Não mergulhe sem uma licença quando esta for necessária, você pode expor o sítio e você mesmo ao perigo. Observe também as diretrizes oficiais que regulamentam o mergulho em alguns lugares. Sítios protegidos são freqüentemente mencionados em mapas ou sinalizados por bóias ou placas na praia.

5. Apenas arqueólogos podem remover objetos. 
Mergulhos não-científicos devem permanecer não-destrutivos e não-intrusivos. Não remova ou recupere objetos, exceto em escavações arqueológicas oficiais e sob a supervisão de um arqueólogo profissional com permissão das autoridades competentes. 

6. Não leve um souvenir.
Mergulhe para se divertir e / ou investir na causa da defesa do patrimônio cultural. Tire fotos, documente os sítios... No entanto, não retire qualquer objeto encontrado  em um naufrágio ou em um sítio subaquático e não danifique o sítio. Você pode destruir o contexto histórico e danificar o objeto transportado à superfície.

7. Respeite os dispositivos de proteção dos sítios.
Os dispositivos de proteção (gaiolas de metal, camadas de areia, sonar, bóias) instalados sobre sítios arqueológicos subaquáticos pelas autoridades responsáveis, servem para protegê-los da erosão, dos invasores e dos saques e devem ser respeitados. Mesmo se você não danifique o sítio arqueológico, qualquer dano causado a um dispositivo de proteção, abre caminho para danos ao sítio do patrimônio cultural subaquático. Se você notar algum dispositivo danificado, informe as autoridades. 
8. Informe suas descobertas as autoridades competentes. 
Se você encontrar um naufrágio ou um sítio arqueológico subaquático, não divulgue sua informação ao público. Informe imediatamente as autoridades nacionais competentes. Se a sua descoberta tiver um valor
significativo, é possível que as escavações sejam realizadas ou que o sítio se torne um local protegido.

9. Entregue os objetos retirados. 
Se você encontrou um objeto em um sítio arqueológico subaquático, comunique as autoridades competentes o mais rapidamente possível, a fim de protegê-lo de grandes riscos. Quando você descobre um artefato antigo debaixo d'água ou na praia, exposto a um grande risco de ser danificado, e não for possível comunicar imediatamente as autoridades competentes, então entregue o objeto a autoridade mais próxima. Esse objeto pode indicar a presença de um sítio arqueológico na costa e fornecer informações valiosas sobre um sítio.

10. Não venda o nosso patrimônio comum. 
Objetos provenientes de um sítio arqueológico subaquático não devem ser comercializados, mas protegidos. Podemos aprender muito sobre o desenvolvimento de civilizações e de nosso próprio passado com os naufrágios e ruínas submersas. Se esses objetos são dispersos, uma parte da nossa história se perde. Se você tomar conhecimento da venda de objetos adquiridos ilegalmente, avise as autoridades.
11. Documente os sítios descobertos. 
Se você descobrir um naufrágio ou uma ruína subaquática, colete informações precisas sobre sua condição e localização exata (fotos, desenhos ou anotações). Faça um relatório sobre sua descoberta aos cuidados das autoridades competentes.

12. Tenha cuidado ao fotografar.
Ao tirar fotografias, tenha o cuidado de evitar o contato direto com os naufrágios ou os vestígios de sítios arqueológicos. Possuir uma câmera não dá o direito de remover ou destruir o patrimônio cultural subaquático. Muitos objetos são vulneráveis, independentemente do tamanho. Técnicas impróprias ao tirar fotos debaixo d’água podem danificar elementos delicados de um sitio arqueológico: a colisão de uma câmara, o movimento de uma nadadeira ou mesmo o simples ato de tocar um objeto pode danificá-lo. O equipamento.

13. Seja prudente.
Mergulhos em naufrágios ou ruínas subaquáticas podem ser perigosos. Certifiquese de seguir as normas de segurança e verifique se sua condição física é adequada quando você pretende mergulhar em um sítio arqueológico. Preste atenção à profundidade, ao clima e às correntes e não entre em cavidades sem tomar as medidas de segurança necessárias. Nunca mergulhe sozinho. Mergulhe de preferência com um guia profissional e qualificado, e colete previamente informações sobre o sítio.  

14.Seja um exemplo a seguir. 
Quando mergulhar em um sítio do patrimônio cultural subaquático, seja um modelo para outros mergulhadores e não-mergulhadores. Incentive outros mergulhadores a seguir o Código de Ética da UNESCO para o mergulho em sítios arqueológicos. Ajude na conscientização das comunidades locais, do público e de mergulhadores da importância da preservação do patrimônio cultural subaquático. 



15. Apoie a ratificação e a aplicação da Convenção de 2001 da UNESCO sobre a Proteção do Patrimônio Cultural Subaquático. 
A Convenção de 2001 da UNESCO para a Proteção do Patrimônio Cultural Subaquático é um tratado internacional  para proteger este patrimônio. Ela apresenta princípios básicos de proteção, define o sistema de cooperação internacional e estabelece regras para a arqueologia subaquática. Apoie a Convenção de 2001 da UNESCO sobre a Proteção do Patrimônio Cultural Subaquático!  






Professor da UFS é premiado por 25 anos de pesquisas em baixo d’água



Entre os dias 14 e 19 de agosto foi realizado, em Jundiaí (SP), o 16º. Encontro Anual de Mergulhadores, organizado pela NAUI Mercosul (National Association of Underwater Instructors). No evento, que teve como tema principal a segurança no mergulho, o professor Gilson Rambelli, do Núcleo de Arqueologia da Universidade Federal Sergipe (UFS), recebeu um prêmio por completar 25 anos como mergulhador.
No ano de 1987 não começou apenas a carreira de Rambelli como mergulhador, mas também a Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Brasil. Rambelli foi o primeiro arqueólogo brasileiro que aprendeu a mergulhar para fazer Arqueologia Subaquática.
Quando se fala em arqueologia é comum pensar imediatamente nas pesquisas feitas em superfície. Porém, cerca de 70% do planeta Terra é composto por água, e nessas águas estão localizados inúmeros sítios arqueológicos. São considerados sítios em ambientes aquáticos todos aqueles testemunhos de atividades humanas que estão localizados nos mares, oceanos, rios e lagos, ou em qualquer ambiente alagado.
A área da arqueologia que estuda esse tipo de sítio é conhecida como Arqueologia de Ambientes Aquáticos, que nada mais é, do que uma adaptação dos métodos e técnicas da Arqueologia para esse ambiente. Nesse caso, um arqueólogo mergulhador faz a pesquisa de campo submerso.
Esse ramo da disciplina é muito importante para preservar, documentar e estudar o patrimônio cultural que se encontra em baixo d’água, como navios naufragados ou sítios que no passado estavam em superfície, mas com a variação do nível do mar foram alagados.
Atualmente a UFS é a única universidade brasileira com um laboratório para pesquisas em baixo d’àgua, o Laboratório de Arqueologia para Ambientes Aquáticos, que atende tanto o Núcleo de Arqueologia quanto o Programa de Pós-Graduação em Arqueologia e tem o reconhecimento e a chancela da Unesco.
Gilson Rambelli possui especialização em Arqueologia Subaquática na França, doutorado em Arqueologia pela Universidade São Paulo (USP) e pós-doutorado em Arqueologia Subaquática pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atualmente é Professor Adjunto do Núcleo de Arqueologia da Universidade Federal de Sergipe; Membro efetivo do International Committee on Underwater Cultural Heritage / Internacional Council of Monuments and Sites (ICUCH / ICOMOS) e Presidente da Sociedade de Arqueologia Brasileira.

Comunicação do Laboratório de Arqueologia de Ambientes Aquáticos


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Arqueologia de Ambientes Aquáticos


Quando se fala em Arqueologia é comum pensar imediatamente nas pesquisas feitas em superfície. Porém, cerca de 70% do planeta Terra é composto por água, e nessas águas estão localizados inúmeros sítios arqueológicos. São considerados sítios em ambientes aquáticos todos aqueles que estão localizados nos mares, oceanos, rios e lagos, ou em qualquer
ambiente alagado.

A área da Arqueologia que estuda esse tipo de sítio é conhecida como Arqueologia de Ambientes Aquáticos, que nada mais é, do que uma adaptação dos métodos e técnicas da Arqueologia para esse ambiente. Nesse caso, um arqueólogo mergulhador faz a pesquisa de campo submerso.

A Arqueologia tem como objetivo estudar sociedades humanas através da cultura material. Cultura material, por sua vez, são todos os resquícios deixados por diferentes populações ao
longo do tempo, que vão desde utensílios cerâmicos, artefatos de pedra, documentos escritos, construções e modificações nas paisagens até os restos humanos e de animais que conviviam com essas pessoas. Esse objetivo se mantém nas pesquisas aquáticas.

Há uma figura muito conhecida, a do caçador de tesouros, que  desde a antiguidade saqueia restos de embarcações naufragadas atrás de riquezas. Isso ainda é comum atualmente, algumas empresas são especializadas em fazer buscas no fundo do mar com fins lucrativos e mergulhadores recreativos, por vezes, retiram material dos naufrágios. Essa prática se diferencia muito da pesquisa arqueológica.

O patrimônio arqueológico é um bem não-renovável, desta forma, um pesquisador sério procura estudar um sítio causando o menor impacto possível. Por vezes, é necessário retirar algum material para uma análise posterior em laboratório, porém, já no planejamento da pesquisa deve-se assegurar que esses artefatos sejam conservados corretamente, em um laboratório ou em um museu. Esses objetos não ficarão com o profissional, eles são considerados patrimônio público.

É importante prezar pela preservação dos sítios arqueológicos subaquáticos, já que futuramente pesquisas com métodos e técnicas mais aprimorados poderão ser feitas. Além disso, por mais que existam técnicas de conservação de materiais, a melhor alternativa é a conservação in situ. A mudança de ambiente pode destruir objetos em pouco tempo, que se conservariam se estivessem no sítio arqueológico de origem.

Ao se manter um sítio preservado existem algumas alternativas para tornar esse patrimônio mais  próximo da população, como por exemplo, atividades de mergulho recreativo e  a criação de museus de sítio ou virtuais. Além disso, os projetos de pesquisa podem criar materiais para informar a população sobre os resultados da pesquisa, ou publicá-las em algum veículo de comunicação.